Mega Diário Cuiabá · Quarta-feira, 4 de novembro de 2026
RETA FINAL

Colheita do milho em Mato Grosso entra na reta final e produção deve atingir 57 milhões de toneladas

Avanço dos trabalhos no campo, produtividade elevada e demanda da indústria de etanol sustentam expectativa de safra recorde no Estado

MILHO

A colheita do milho da safra 2025/26 em Mato Grosso entrou na reta final, com avanço dos trabalhos no campo e expectativa de uma produção recorde de 57,06 milhões de toneladas, segundo dados divulgados nesta semana pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).

Conforme o levantamento do instituto, até o dia 24 de julho, a colheita havia alcançado 90,66% da área estimada, avanço semanal de 11,74 pontos percentuais. O ritmo das operações está ligeiramente superior ao registrado no mesmo período da safra passada, favorecido pelo tempo firme no Estado, que permitiu maior rendimento das atividades nas lavouras.

A analista de mercado do Imea, Milena Bezerra, explicou que os trabalhos já se aproximam da conclusão na maior parte das regiões produtoras de Mato Grosso.

“Estamos caminhando para a reta final da colheita do milho, com cerca de 97% da área total colhida. De forma geral, a colheita está ligeiramente acima do que foi observado no mesmo período do ano passado”, afirmou.

Segundo a analista, as regiões Norte e Médio-Norte apresentam os maiores percentuais de áreas colhidas e estão próximas do encerramento dos trabalhos. Já o Sudeste segue como a região mais atrasada, com cerca de 86% da área colhida, em razão do calendário de semeadura mais tardio.

“Nessas áreas, os produtores aguardam para colher com menor índice de umidade, o que facilita o processo de armazenagem. Para as próximas semanas, a tendência é de fechamento da colheita na maior parte das regiões do Estado, com exceção do Sudeste, que deve levar mais algumas semanas para concluir os trabalhos”, explicou Milena.

Regiões avançam em ritmos diferentes

De acordo com o Imea, o Médio-Norte lidera o avanço da colheita, com 98,03% da área já retirada do campo, seguido pelo Norte, com 96,52%, e pelo Nordeste, com 93,83%.

O Sudeste apresenta o menor percentual de conclusão, com 67,59% da área colhida, resultado influenciado pelo plantio mais tardio em comparação com outras regiões produtoras.

Com o avanço da colheita e os rendimentos permanecendo elevados nas áreas já avaliadas, o instituto mantém a projeção de uma safra histórica. A produtividade média estimada para Mato Grosso está em 128,64 sacas por hectare, acima das projeções iniciais.

Demanda interna ajuda a sustentar preços

Mesmo com a expectativa de uma ampla oferta de milho no mercado, a demanda interna tem reduzido o impacto sobre os preços. Segundo o Imea, a indústria de etanol de milho segue ampliando as aquisições do cereal, contribuindo para equilibrar o mercado.

O indicador do milho disponível em Mato Grosso registrou valorização de 3,77% na última semana, encerrando o período com preço médio de R$ 41,92 por saca.

No mercado nacional, o indicador Cepea/Campinas apresentou alta de 1%, fechando cotado a R$ 65,41 por saca, enquanto os contratos negociados na Bolsa Brasileira (B3) alcançaram R$ 70 por saca, com avanço semanal de 4,54%.

Cenário internacional

No mercado externo, o milho também acompanhou movimentos de valorização. O contrato corrente negociado na Bolsa de Chicago (CME Group) encerrou a semana a US$ 4,59 por bushel, alta de 3,92%.

Na Argentina, segundo a Bolsa de Cereales, a colheita da safra 2025/26 alcançou 66,8% da área estimada, mas segue atrasada em relação ao ciclo anterior devido às chuvas recentes e à alta umidade do solo.

Apesar do atraso nas operações, o clima favoreceu o desenvolvimento das lavouras argentinas, elevando a produtividade média para 133,03 sacas por hectare, cerca de 17,7% acima da média dos últimos cinco anos. A produção do país está estimada em 64 milhões de toneladas, crescimento de 30,61% em relação à safra anterior.

Comercialização segue avançando

O Imea informou ainda que a comercialização do milho da safra 2025/26 em Mato Grosso chegou a 51,41% da produção estimada até julho. Para o ciclo 2026/27, as vendas antecipadas alcançaram 7,90%.

Com a colheita próxima do fim, Mato Grosso consolida mais uma safra de grande volume, enquanto produtores e mercado acompanham o comportamento da demanda interna, exportações e o cenário internacional para definição dos próximos movimentos nos preços do cereal.

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