Custo do milho sobe 13,83% e reduz margem do produtor em MT
Despesas acumulam alta de 13,83% em um ano, enquanto preço avançou 4,67%

O custo para produzir milho em Mato Grosso está crescendo em ritmo superior ao preço recebido pelo produtor, deixando a margem da atividade mais apertada para a safra 2026/27. O custeio foi estimado em R$ 3.778,76 por hectare em julho, alta de 0,30% em relação ao mês anterior.
Os dados são do projeto CPA-MT, desenvolvido pelo Senar-MT e pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).
Na comparação anual, o descompasso é maior. Enquanto o preço do milho acumula valorização de 4,67%, o custeio avançou 13,83%. A diferença reduz o espaço para recuperação das margens e aumenta a atenção dos produtores na formação dos custos para o próximo ciclo.
Entre os componentes do custeio, fertilizantes e corretivos foram os principais responsáveis pela pressão em julho. O grupo registrou alta de 1,14%, chegando a R$ 1.550,19 por hectare.
Os gastos com defensivos recuaram 0,10%, para R$ 912,09 por hectare, enquanto as despesas com sementes tiveram queda de 0,51%, para R$ 844,46 por hectare.
O Custo Operacional Efetivo (COE) avançou 0,20%, chegando a R$ 5.504,27 por hectare. Já o Custo Operacional Total (COT) subiu 0,17%, para R$ 6.067,89 por hectare.
Preço cobre o COE, mas não o custo total
Para calcular o ponto de equilíbrio, o Imea considerou uma produtividade média de 123,83 sacas por hectare, correspondente à média das três últimas safras.
Com essa produtividade, o ponto de equilíbrio foi estimado em R$ 44,45 por saca para o COE e R$ 49,00 por saca para o COT.
Em julho, o preço médio negociado para a safra 2026/27 ficou em R$ 46,12 por saca.
O valor é suficiente para cobrir o custo operacional efetivo, mas ainda fica R$ 2,88 por saca abaixo do necessário para cobrir o custo operacional total.
O cenário indica que, mesmo com preços acima do desembolso operacional, o produtor ainda enfrenta uma margem mais estreita quando considerados todos os custos operacionais da atividade. A relação entre preço, produtividade e despesas será, portanto, um dos pontos de atenção para a rentabilidade da próxima safra.
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