Mega Diário Cuiabá · Quarta-feira, 4 de novembro de 2026
MERCADO

Mato Grosso amplia participação nas exportações de milho enquanto embarques do Brasil recuam

agro/milho

Mato Grosso ganhou espaço no mercado internacional de milho na abertura da temporada 2025/26, mesmo diante da retração dos embarques brasileiros. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), analisados pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), mostram que o Brasil exportou 1,94 milhão de toneladas de milho até o fim de julho, queda de 20,18% em relação ao mesmo período da temporada anterior.

Na contramão do resultado nacional, Mato Grosso embarcou 1,53 milhão de toneladas, alta de 1,50% na comparação entre as temporadas. Com esse volume, o Estado respondeu por 78,86% de todo o milho exportado pelo Brasil no período.

O desempenho mato-grossense ocorre em um cenário de maior disponibilidade do cereal no Estado, favorecida pelo avanço da produção da segunda safra. O ritmo mais lento da colheita em importantes regiões produtoras, como Paraná e Mato Grosso do Sul, contribuiu para limitar a oferta nacional no início da temporada.

Egito aumenta compras de milho mato-grossense

Entre os mercados compradores, o Egito foi o principal destino do milho de Mato Grosso em julho, com 511,77 mil toneladas. O volume representa um salto de 92,35% em relação ao mesmo período da temporada anterior.

Israel aparece na segunda posição, com 206,49 mil toneladas, seguido pela Espanha, que adquiriu 110,33 mil toneladas. Somados, os três países responderam por 54,13% dos embarques de milho mato-grossense no período.

O avanço das vendas para esses mercados ajudou a sustentar a participação de Mato Grosso nas exportações brasileiras, mesmo com a queda registrada no volume total embarcado pelo país.

Milho sobe no mercado interno e em Chicago

O mercado também apresentou valorização na última semana. O indicador de milho do Imea fechou o período em R$ 43,06 por saca, alta de 1,07% em relação à semana anterior.

Na Bolsa de Chicago (CME Group), o contrato corrente terminou a semana cotado a US$ 4,48 por bushel, avanço de 1,48%. A alta ocorreu após o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) revisar as projeções para a safra norte-americana.

Apesar do aumento de 1,33% na área colhida projetada para os Estados Unidos, para 35,85 milhões de hectares, a estimativa de produtividade foi reduzida de 191,44 para 189,09 sacas por hectare.

A produção, porém, foi mantida em patamar elevado, estimada em 406,75 milhões de toneladas, alta mensal de 0,08%, mas ainda 5,92% abaixo do recorde projetado para a temporada anterior.

O USDA também elevou em 2,34% a previsão de exportações norte-americanas, para 83,19 milhões de toneladas. Com maior demanda externa, os estoques finais dos Estados Unidos foram projetados em 41,98 milhões de toneladas, queda de 7,66% em relação ao ciclo anterior.

Para o Imea, a combinação entre demanda externa mais forte e estoques mais ajustados contribuiu para dar sustentação às cotações internacionais.

Colheita de Mato Grosso chega a 99,94%

O avanço da colheita ajuda a explicar a maior disponibilidade de milho em Mato Grosso. Na semana de 10 a 14 de agosto, 99,94% da área estimada já havia sido colhida, segundo o Imea.

Uma semana antes, o índice era de 99,10%. No intervalo de 13 a 17 de julho, a colheita alcançava 78,92%.

A produção da safra 2025/26 também passou por novas estimativas. O Imea elevou a produtividade projetada de 128,64 para 128,67 sacas por hectare, enquanto a área estimada avançou de 7,39 milhões para 7,43 milhões de hectares.

Produtor acelera comercialização da próxima safra

A comercialização do milho da safra 2025/26 também ganhou ritmo. Em agosto, 64,29% da produção estimada já havia sido comercializada, ante 51,41% em julho.

O movimento representa avanço de quase 13 pontos percentuais em apenas um mês.

Para a safra 2026/27, entretanto, a comercialização ainda está em estágio inicial: 10,62% da produção projetada havia sido negociada em agosto, contra 7,90% em julho.

O cenário combina uma oferta elevada em Mato Grosso, avanço das exportações estaduais e um mercado internacional que começa a trabalhar com estoques norte-americanos mais ajustados. Ao mesmo tempo, a retração dos embarques brasileiros mostra que a disponibilidade de milho no país não é homogênea entre os principais estados produtores.

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