Mega Diário Cuiabá · Quinta-feira, 5 de novembro de 2026
EMENDA OCULTA

Elizeu nega desvio de emendas e afirma que valor apreendido é legal

elizeu nascimento

O deputado estadual Elizeu Nascimento (Novo) negou qualquer envolvimento em um suposto esquema de desvio de emendas parlamentares investigado na Operação Emenda Oculta. E, conversa com a imprensa nesta quarta-feira (6), na sede da Assembleia Legislativa, ele afirmou que o dinheiro apreendido em sua residência está devidamente declarado à Receita Federal.

A operação foi deflagrada na última quinta-feira (30) pelo Ministério Público do Estado (MPE) e teve como alvos o parlamentar, o irmão dele, o vereador por Cuiabá Cezinha Nascimento (União), e o empresário João Nery Chiroli, dono da empresa Chiroli Esportes.

Durante o cumprimento dos mandados, foram apreendidos documentos, aparelhos eletrônicos e R$ 150 mil em dinheiro em espécie na casa do deputado. Segundo Elizeu, o valor tem origem lícita e seria utilizado em sua campanha eleitoral, já que ele é pré-candidato à reeleição.

“Normal , é normal, até porque está declarado. Se fosse ilícito, não estaria declarado e poderia levantar alguma suspeita. No período eleitoral, muitas vezes você tem um recurso ou na conta ou você tem um recurso em mãos”, afirmou.

O parlamentar explicou ainda que a prática segue regras já adotadas em eleições anteriores. “Esse recurso, no momento oportuno, você faz o depósito de doação de si para si mesmo. Isso aconteceu em 2018, em 2022, e é assim que você realiza o trabalho dentro da declaração de imposto de renda”, completou.

Essa foi a primeira manifestação pública de Elizeu após a operação, feita durante coletiva de imprensa na Assembleia Legislativa.

Destinação de emendas

As investigações apontam que o deputado destinou mais de R$ 7,7 milhões em emendas parlamentares ao Instituto Social Mato-grossense (Ismat), entidade suspeita de participar do suposto esquema.

Elizeu afirmou que os recursos foram aplicados na compra de uniformes para alunos de escolas militares no estado.

“Esse valor se refere a três anos de investimento na educação militar, nos quais conseguimos entregar aproximadamente 22 mil kits de uniforme, tanto para escolas Tiradentes quanto para a Dom Pedro”, disse.

“Portanto, os R$ 7,7 milhões se referem a entregas que impactam a vida do cidadão, principalmente dessas famílias, em mais de 25 escolas militares em todo o estado de Mato Grosso”, acrescentou.

Investigação

De acordo com a apuração, parte dos recursos teria sido sacada em dinheiro pelo empresário João Nery Chiroli, apontado como o responsável de fato pelo instituto, e posteriormente repassada a parlamentares.

Em um dos episódios investigados, no dia 16 de dezembro, após o saque de R$ 350 mil em uma agência bancária, Chiroli teria entrado em um veículo que seria do deputado Elizeu.

O parlamentar afirmou que sua defesa ainda não teve acesso aos autos do processo e reforçou que está à disposição para esclarecimentos.

“Eu posso garantir que não devo [à Justiça]. Estou aqui, frente a frente com vocês, para prestar esse esclarecimento. A gente se sente abalado no primeiro momento”, declarou.

A operação também teve como alvos representantes de outras entidades e um assessor da Assembleia Legislativa. Além das buscas e apreensões, foram determinadas medidas como quebra de sigilos bancário e fiscal, bloqueio de valores e indisponibilidade de bens.

A investigação é conduzida pelo Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco), com apoio da Polícia Judiciária Civil, Controladoria-Geral do Estado, Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor), Delegacia Especializada em Crimes Fazendários e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

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