Mega Diário Cuiabá · Quinta-feira, 5 de novembro de 2026
VENDA DE SETENÇAS

PF prende ex-assessor do STJ envolvido com lobista de MT por tentar interferir em investigação

pf

A Polícia Federal prendeu, no fim da tarde desta terça-feira (31), o ex-assessor do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Márcio José Toledo Pinto, suspeito de obstruir as investigações da Operação Sisamnes, que apura um esquema de venda de decisões judiciais. Até o momento, a defesa não se manifestou. Em ocasiões anteriores, ele negou qualquer envolvimento e afirmou que apenas elaborava minutas com base em jurisprudência.

Márcio havia sido alvo de busca e apreensão pela manhã. Inicialmente, o pedido de prisão temporária foi negado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Cristiano Zanin. No entanto, após a análise de novos dados extraídos do celular do investigado, a Polícia Federal solicitou a prisão preventiva, que acabou sendo autorizada pelo magistrado.

De acordo com a PF, há indícios de que o ex-assessor monitorava um dos delegados responsáveis pelo caso. Na semana passada, o policial percebeu que estava sendo seguido, realizou a abordagem e identificou Márcio. O episódio reforçou o pedido de medidas cautelares mais rigorosas contra o investigado.

A interlocutores, Márcio alegou que estaria acompanhando o delegado porque ele utilizava um veículo de sua propriedade, apreendido anteriormente pelas autoridades.

Em relatório encaminhado ao STF no mês passado, a Polícia Federal indiciou o ex-assessor por crimes como violação de sigilo funcional e corrupção passiva. As investigações apontam que ele teria alterado e vazado informações de decisões de ministras do STJ a pedido de um lobista, em troca de pagamentos.

Márcio já havia sido alvo de buscas na primeira fase da Operação Sisamnes, deflagrada em novembro de 2024. Ele atuou nos gabinetes das ministras Nancy Andrighi e Isabel Gallotti.

As quebras de sigilo bancário indicaram que o lobista Andreson de Oliveira Gonçalves teria repassado ao menos R$ 4 milhões ao ex-assessor, por meio de uma empresa registrada em nome da esposa dele.

Apesar da gravidade das suspeitas, a Polícia Federal destacou que, até o momento, não há indícios de participação de ministros do STJ no esquema investigado. A conclusão consta em relatório assinado pelo delegado José Eloísio dos Santos Neto, responsável pela condução atual do caso, e encaminhado ao gabinete do ministro Cristiano Zanin, relator do inquérito no Supremo.

Segundo o documento, “não existem elementos indicativos da participação de ministros do STJ no esquema criminoso”, reforçando que as apurações seguem em andamento.

Relacionadas