Fantástico revela avanço de facção em terra indígena de MT; operação da PF já causou prejuízo de R$ 100 milhões

A reportagem exibida pelo Fantástico, da TV Globo, neste domingo (28), levou para todo o país a dimensão do avanço do crime organizado sobre a Terra Indígena Sararé, no oeste de Mato Grosso. A investigação mostrou como o Comando Vermelho passou a controlar áreas de garimpo ilegal, utilizando a exploração clandestina de ouro para financiar suas atividades criminosas, em um esquema que levou o governo federal a deflagrar uma das maiores operações de desintrusão já realizadas no Estado.
Há cerca de três meses em andamento, a força-tarefa reúne Casa Civil, Polícia Federal, Ibama, Força Nacional, Polícia Rodoviária Federal, Funai, Ministério da Defesa, Abin e outros órgãos federais. A missão é retirar invasores, desarticular a estrutura do garimpo ilegal e devolver o território ao povo indígena Nambikwara.
Segundo a reportagem, a atuação da facção começou oferecendo segurança armada aos garimpeiros ilegais, mas evoluiu para o controle direto de áreas de extração de ouro. As investigações apontam que o minério passou a ser usado como moeda de troca para a aquisição de armas e drogas em países vizinhos, fortalecendo a estrutura financeira da organização criminosa.
Enquanto a investigação ganhou repercussão nacional, a operação em campo segue ampliando os prejuízos ao garimpo clandestino. De acordo com o balanço mais recente, as forças federais já apreenderam ou inutilizaram equipamentos avaliados em cerca de R$ 100 milhões.
Entre os materiais destruídos estão 3,8 toneladas de explosivos, 199 acampamentos, 829 motores e 34 escavadeiras hidráulicas, além da destruição de 35 bunkers utilizados para esconder maquinários e de 33 túneis subterrâneos escavados para a extração ilegal do ouro.
Os túneis são implodidos por equipes especializadas da Polícia Federal, que utilizam explosivos para provocar o colapso definitivo das galerias. Antes das detonações, os agentes realizam inspeções estruturais e perfurações para garantir a segurança da operação e impedir que os criminosos voltem a utilizar as estruturas.
Em entrevista exibida pelo Fantástico, o delegado da Polícia Federal Rodrigo Vitorino afirmou que a organização criminosa utilizava os túneis não apenas para a mineração clandestina, mas também para esconder armamentos e munições. Segundo ele, a presença da facção transformou o garimpo em uma importante fonte de financiamento do crime organizado. "Eles utilizam o ouro como moeda de troca para encaminhá-lo a países vizinhos e receber em troca entorpecentes ou armamentos", afirmou.
Terra indígena vive pressão do garimpo há anos
Homologada em 1985, a Terra Indígena Sararé possui cerca de 67 mil hectares e abriga aproximadamente 201 indígenas do povo Nambikwara, distribuídos em sete aldeias. Dados do governo federal apontam que cerca de 4.200 hectares já foram degradados pela exploração ilegal de ouro, que se intensificou nos últimos anos e passou a atrair organizações criminosas interessadas em controlar a atividade.
A atual operação de desintrusão não tem prazo para terminar. Segundo o governo federal, as ações continuarão até que todos os invasores sejam retirados, a infraestrutura do garimpo ilegal seja completamente desmantelada e o território volte a ser ocupado exclusivamente pelos indígenas, conforme determina a legislação brasileira.
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