Mega Diário Cuiabá · Quarta-feira, 4 de novembro de 2026
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Flávio Bolsonaro contesta resultado, acusa chapa de Lula de compra de votos e relata apreensão de seus passaportes pela PF

Em vídeo divulgado após o pleito, o candidato derrotado anunciou que pedirá a cassação da chapa petista e prometeu usar a maioria no Congresso para liderar uma oposição dura.

Após o desfecho das eleições deste domingo, Flávio Bolsonaro publicou um vídeo nas redes sociais agradecendo os quase 60 milhões de votos recebidos, contestando a condução do pleito e fazendo duras acusações contra o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o Partido dos Trabalhadores (PT). No pronunciamento, ele revelou ter sido abordado pela Polícia Federal no meio da rua para entregar seus passaportes e anunciou que entrará com um pedido de cassação da chapa do presidente Lula por abuso de poder político e econômico.

Logo no início do vídeo, Flávio afirmou que “o que aconteceu neste domingo da eleição não foi normal”. Ele denunciou que um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) — a quem se referiu como “ex-advogado do Lula”, em provável alusão a Cristiano Zanin — teria “atropelado o TSE” ao prorrogar o horário de votação até as 19h. Segundo ele, não há como mensurar o impacto dessa extensão nas urnas. “Imagina se fosse o contrário, um ministro indicado pelo Bolsonaro tomando uma decisão que mudou a regra com o jogo já encerrado?”, questionou.

Além do questionamento sobre o horário estendido, Flávio acusou o atual governo de ter injetado quase “meio trilhão de reais de dinheiro público para fazer a maior compra de votos da história das eleições no Brasil”. Ele ainda criticou a suposta criação de um “complexo industrial de fake news” para aterrorizar a população, baseando nesses argumentos sua decisão de pedir formalmente a cassação da chapa vencedora. “A disputa não deveria ser um vale-tudo. Não fui eu que perdi, foi o sistema que ganhou”, declarou.

Visita ao pai e apreensão do passaporte

O momento mais drástico do relato envolve uma ação direta da Polícia Federal. Flávio narrou que, na manhã desta segunda-feira, esteve na residência de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que segundo ele cumpre prisão domiciliar. Ao sair da visita, foi surpreendido por agentes federais.

“Na porta da casa dele e no meio da rua eu fui intimado a entregar os meus passaportes e também estou proibido de deixar o país”, revelou.

De acordo com o candidato, a decisão foi assinada pelo ministro Alexandre de Moraes e teve como embasamento uma declaração dada por seu irmão, o deputado Eduardo Bolsonaro, na última quinta-feira (23 de outubro), de que Flávio deveria deixar o país em caso de derrota. “Eu nunca falei isso. Isso é motivo para tirar meu passaporte? Isso é justiça?”, protestou. Ele destacou, ainda, o fato de a ordem ter sido emitida na noite de domingo, minutos após a divulgação do resultado oficial das urnas.

Formação de ‘fortaleza’ no Congresso

Apesar do relato de perseguição, Flávio Bolsonaro descartou as especulações de que abandonaria o Brasil e prometeu resistir ao que classificou como “tentativa de intimidação”.

O foco de sua resistência, segundo o discurso, será o Legislativo. Flávio celebrou o fato de seu grupo político ter conquistado a maioria na Câmara dos Deputados e no Senado Federal. Ele anunciou que reunirá a base eleita para transformar o Congresso em uma “fortaleza contra a barbárie”, alertando que a continuidade do atual governo trará disparada do dólar, queda da bolsa e fuga de investimentos por falta de segurança jurídica.

“Não vão me calar, não vão me intimidar. Bora levantar a cabeça e continuar lutando pelo nosso Brasil, aconteça o que acontecer”, encerrou. As autoridades judiciais citadas não se pronunciaram sobre as declarações até o momento de publicação desta matéria.

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