Lúdio questiona contratos do BRT e aponta concentração de obras em empresa ligada a aliado de Mauro Mendes

O deputado estadual Lúdio Cabral (PT) questionou, durante entrevista coletiva concedida à imprensa nesta semana, a estratégia adotada pelo Governo de Mato Grosso para a execução das obras do Sistema BRT em Cuiabá e Várzea Grande. Segundo o parlamentar, apesar do anúncio de que os contratos seriam divididos para acelerar os trabalhos, parte significativa das contratações ficou concentrada em uma mesma empresa.
De acordo com Lúdio, o governo justificou o chamado “fatiamento” das obras como uma forma de garantir maior agilidade na execução do projeto, separando contratos relacionados à pavimentação, construção de estações, terminais e sistemas tecnológicos. No entanto, o deputado afirmou que a maior parte dos contratos acabou sendo firmada com a Lotufo Engenharia e Construções Ltda.
“Vocês lembram que o Governo falava em fatiar as pavimentações, as estações, os terminais, a parte de tecnologia, para acelerar a obra? A mesma empresa, primeiro na forma de consórcio e depois individualmente, tem três contratos com dispensa de licitação”, declarou.
Durante a entrevista, Lúdio também levantou questionamentos sobre o aumento dos custos previstos para a construção das estações do BRT. Segundo dados apresentados pelo parlamentar, uma dispensa eletrônica publicada em agosto de 2025 estimava investimento de R$ 68,8 milhões para a execução das estruturas. O processo, porém, não avançou após a desclassificação da empresa participante.
Conforme o deputado, menos de dois meses depois o Governo do Estado publicou uma nova dispensa eletrônica para o mesmo objeto. Desta vez, a Lotufo Engenharia foi contratada por R$ 120,4 milhões, valor R$ 51,1 milhões superior ao previsto anteriormente.
“Em poucos meses, três ou quatro meses, as obras das estações, que custariam menos de R$ 60 milhões, foram para quase R$ 120 milhões”, afirmou.
Lúdio também questionou os motivos que levaram ao aumento expressivo do valor previsto para a execução das estações em um curto intervalo de tempo. Segundo ele, é necessário esclarecer os critérios utilizados para a nova contratação e as razões que justificariam a elevação dos custos.
As obras do BRT foram retomadas pelo Governo do Estado após a rescisão do contrato com o consórcio responsável pela implantação do modal. Desde então, a gestão estadual tem adotado a estratégia de contratação por etapas para dar continuidade ao empreendimento, considerado uma das principais obras de mobilidade urbana da região metropolitana de Cuiabá e Várzea Grande.
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