Mega Diário Cuiabá · Quinta-feira, 5 de novembro de 2026
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Mansão em Brasília era usada por lobista e Lulinha para reuniões

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O GLOBO

Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e a lobista Roberta Luchsinger utilizavam uma residência no Lago Sul, área nobre de Brasília, durante períodos em que estavam na capital. O imóvel, alugado por Luchsinger em 2024, também teria sido usado para reuniões reservadas, segundo relatos de três pessoas que trabalharam na casa.

Uma das testemunhas é a empregada doméstica Zildeni Souza, que trabalhou no imóvel por sete meses, entre 2024 e 2025. Segundo ela, a residência não era utilizada como moradia permanente, mas principalmente para encontros.

“Não era casa de morar. Era uma casa alugada, que quem fica mais tempo eram os funcionários. Era realmente uma casa de reunião”, relatou Zildeni. Ela afirmou que costumava receber uma ou duas pessoas pela manhã e servir café, sem participar das conversas.

De acordo com a ex-funcionária, Luchsinger e Lulinha frequentavam a casa pelo menos duas vezes por mês. Em algumas ocasiões, segundo seu relato, Lulinha ia sozinho. Um áudio enviado pela lobista à empregada, posteriormente divulgado pelo Metrópoles e confirmado pelo GLOBO, menciona a chegada de Fábio e a preparação de um quarto para visitantes.

Zildeni também afirmou que Luchsinger costumava avisá-la quando Lulinha iria ao imóvel. Segundo ela, o filho do presidente permanecia por cerca de dois dias e, em algumas ocasiões, passava parte do tempo na área da piscina.

A defesa de Lulinha negou qualquer irregularidade. O advogado Marco Aurélio de Carvalho afirmou que ele e Luchsinger nunca esconderam a amizade e que Lulinha frequentava a residência como fazia com outros amigos.

“O Fábio e a Roberta nunca negaram a relação de amizade, que eles tanto se orgulham”, afirmou o defensor. Segundo ele, Lulinha não participou de reuniões com empresários ou clientes da lobista e é alvo de uma perseguição que considera injustificada.

A defesa de Luchsinger informou que não comentaria o caso. Em uma publicação nas redes sociais, a empresária criticou as investigações e afirmou ser alvo de “ataques diários”.

Estadia fora do Alvorada

Lulinha, filho mais velho de Lula com a ex-primeira-dama Marisa Letícia, mudou-se para Madri, na Espanha, no ano passado. Empresário do setor de tecnologia, ele já foi citado em investigações e controvérsias durante os primeiros governos do pai.

Segundo pessoas próximas ao presidente, Lulinha preferia se hospedar na residência de Luchsinger quando estava em Brasília e evitava permanecer no Palácio da Alvorada. A casa fica em um condomínio fechado e tem aproximadamente 2.110 metros quadrados, três quartos, piscina, jardim, churrasqueira e um escritório onde, de acordo com relatos, ocorriam encontros.

O imóvel pertence, conforme registros em cartório, a um empresário do setor de mineração de calcário que mora fora do Brasil. O aluguel teria sido feito por Luchsinger em 2024.

Funcionários afirmaram que Lulinha e a lobista não frequentam mais a residência há cerca de sete meses. A mudança teria ocorrido após a divulgação de investigações envolvendo Luchsinger e o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado como figura central no esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões investigado pela Polícia Federal.

Em dezembro do ano passado, no mesmo dia em que foi alvo de uma operação da PF, Luchsinger publicou uma fotografia feita na casa do Lago Sul. Na legenda, escreveu: “Aos mentirosos, apenas a justiça”.

Ex-chefe de gabinete também teria visitado o imóvel

Segundo Zildeni, uma das pessoas que estiveram na residência foi Marcola, ex-chefe de gabinete do presidente Lula. A ex-funcionária afirmou se lembrar dele em uma reunião realizada no local. Procurado, ele não se manifestou.

Além dos encontros na casa, Luchsinger mantinha compromissos em ministérios e órgãos públicos durante suas passagens por Brasília. Registros apontam oito agendas no Palácio do Planalto e ao menos 32 visitas a órgãos como os ministérios da Saúde e do Desenvolvimento Social e o BNDES entre 2023 e 2025.

No mesmo período, Lulinha teve cinco registros de acesso ao Palácio do Planalto.

O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias, que afirma ser amigo de Lulinha e Luchsinger, confirmou ter encontrado os dois em uma festa de aniversário do filho do presidente realizada em Brasília. Ele disse, porém, não se lembrar do endereço.

“Na condição de convidado pelo Fábio, estive no aniversário de Fábio. Sou amigo da família do Lula e estive nesta oportunidade com familiares e amigos dele”, afirmou o ministro.

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