Mauro chama Wellington de “cara de pau” após críticas à MT-170
O embate político ocorre em meio à pressão de prefeitos, vereadores, deputados estaduais e lideranças da região Noroeste, que acionaram o Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso apontando buracos, afundamentos e desgaste em trechos concluídos há menos de um ano.

O ex-governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (UB), chamou o senador e pré-candidato ao governo do estado, Wellington Fagundes (PL), de “cara de pau” ao rebater críticas sobre as condições da MT-170, antiga BR-174, rodovia estadualizada durante sua gestão e que hoje enfrenta denúncias de deterioração precoce do asfalto.
O embate político ocorre em meio à pressão de prefeitos, vereadores, deputados estaduais e lideranças da região Noroeste, que acionaram o Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso apontando buracos, afundamentos e desgaste em trechos concluídos há menos de um ano.
Diante das denúncias, o presidente do TCE-MT, Sérgio Ricardo, anunciou que fará uma inspeção in loco na rodovia para verificar a qualidade das obras executadas.
A crise ganhou dimensão política após Wellington Fagundes afirmar que a estadualização da antiga BR-174 teria sido um erro do governo estadual. Mauro reagiu em vídeo divulgado nas redes sociais e atacou diretamente o senador.
“Os senhores assistam esse vídeo e vocês vão ver um exemplo de um político 'cara de pau' e que não tem respeito nenhum com a população do Estado", disse Mendes.
A MT-170 é considerada estratégica para o Noroeste de Mato Grosso e liga municípios como Juína, Castanheira, Juruena e Colniza. Antes da estadualização, a rodovia era administrada pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes e permaneceu por mais de uma década sob responsabilidade do governo federal.
No vídeo, Mauro Mendes responsabilizou Wellington pelo período em que a estrada esteve abandonada e afirmou que o senador tinha influência direta sobre a estrutura do DNIT em Mato Grosso.
“O senhor, como deputado federal e senador, durante muitos anos mandou no DNIT. O superintendente foi nomeado pelo senhor. E por que nada mudou?", questionou o ex-governador.
Mauro ainda relembrou as dificuldades enfrentadas por moradores da região antes da estadualização da rodovia e citou situações em que motoristas chegavam a permanecer horas presos em atoleiros.
“Ambulâncias, ônibus escolares e famílias sofriam naquela estrada. Aquela região estava condenada ao abandono.”
Mauro também insinuou que a retirada da rodovia da esfera federal afetou interesses ligados a contratos de manutenção.
“Será que foi um erro ou foi um erro porque acabou a mamata das empreiteiras e de alguns que se beneficiavam disso?”
Estadualização da BR-174
A estadualização da então BR-174 foi conduzida pelo governo Mauro Mendes com o argumento de acelerar a pavimentação e garantir integração logística para a região Noroeste do estado. A obra passou a ser tratada como uma das principais vitrines de infraestrutura da gestão.
Apesar disso, o desgaste precoce do asfalto passou a gerar questionamentos de moradores e lideranças políticas. Parlamentares da região afirmam que trechos recém-entregues já apresentam crateras e falhas estruturais.
Mauro reconheceu problemas na execução da obra, mas afirmou que o Estado adotará medidas contra a empresa responsável pelo serviço.
“Teve construtora que pisou na bola, e o Estado vai processar e cobrar as garantias da obra. Tenho certeza que govenador Otaviano Pivetta (Republicanos) e o secretário Marcelo vão tomar providências”, aponta Mendes.
Mesmo diante das críticas, o ex-governador afirmou que a estadualização foi uma decisão correta e comparou a medida à intervenção feita pelo governo estadual na BR-163.
“Já entregamos mais de 200 quilômetros de duplicação da BR-163. Será que o senador Wellington considera isso também um erro? Salvar a vida das pessoas, melhorar aquela região inteira?”.
O ex-governador também rebateu a fala de Wellington que classificou como “irresponsabilidade” a proposta do Governo do Estado de assumir as obras da BR-158, na região do Araguaia.
"Irresponsabilidade é o que o senhor está falando, criticando aquilo que é bom para a população. Será por quê? Será por quê que o senhor está falando isso agora? Porque é período eleitoral? Não venha falar mentiras e inverdades".
“Essa rodovia também é do Governo Federal e são mais de 100 quilômetros que atravessam a reserva indígena. O Governo Federal em 3 anos fez apenas 12 quilômetros. E o Governo do Estado em 3 anos fez 3 mil quilômetros de asfalto. Não tem como comparar. E pode ter certeza que vamos continuar errando, na opinião do Wellington, mas acertando ao fazer aquilo que é bom para a população de Mato Grosso”, disse.
O confronto amplia a tensão entre dois dos principais nomes da política mato-grossense e adiciona um novo capítulo à disputa de bastidores para as eleições de 2026.
Veja vídeo:
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