Mulheres buscam independência viajando sozinhas e impulsionam nova tendência no turismo
Cada vez mais mulheres viajam sozinhas e encontram no ecoturismo uma forma de liberdade e autoconhecimento

Viajar sozinha deixou de ser tabu e tem se tornado uma escolha cada vez mais comum entre as brasileiras — tendência que também ganha força em Mato Grosso. De acordo com a pesquisa “Mulheres que Viajam Sozinhas”, divulgada oficialmente esta semana pelo Ministério do Turismo, quatro em cada dez brasileiras já embarcaram sozinhas, dentro ou fora do país. Para 65% delas, a viagem solo representa principalmente a busca por independência, liberdade e novas descobertas.
O levantamento revela uma mudança significativa no comportamento feminino no turismo e mostra que cada vez mais mulheres se sentem confiantes para explorar novos destinos por conta própria.
Em Mato Grosso, o movimento também já é percebido por agências e operadoras de turismo. Destinos conhecidos pela natureza exuberante, como a Chapada dos Guimarães, o Pantanal e Nobres, têm atraído cada vez mais mulheres que decidem viajar por conta própria. No ecoturismo, trilhas, cachoeiras e experiências em meio à natureza aparecem entre os roteiros mais procurados por viajantes que buscam autonomia, aventura e momentos de reconexão consigo mesmas.

Em entrevista ao Mega Diário, a empresária Jessica Felix, proprietária da agência Trilhando Sem Fronteiras, a presença feminina nas expedições cresce a cada ano.
“Quando iniciamos, percebemos uma divisão mais equilibrada entre homens e mulheres nas trilhas. Hoje vemos que esse ‘placar’ está cada vez mais feminino. A proposta da agência sempre foi encorajar as pessoas a superarem desafios pessoais sem depender da agenda de outras pessoas, e para muitas mulheres isso faz muito sentido”, explica.
De acordo com ela, a possibilidade de contar com apoio técnico, orientação e um ambiente organizado faz com que muitas mulheres se sintam mais seguras para realizar viagens sozinhas.
"Ao saberem que existe um ponto de apoio técnico e humano, as mulheres percebem que realizar trilhas e campings sozinhas é uma possibilidade real e segura. Essa rede de apoio que oferecemos tem sido o diferencial que, ano após ano, colabora para essa virada de comportamento, aproximando cada vez mais mulheres ao nosso universo do ecoturismo e dá vida ao ar livre", explica a empresária.
Segurança ainda é a principal preocupação
Apesar do crescimento desse tipo de turismo, a segurança ainda é o principal questionamento feito por mulheres antes de fechar uma viagem.
Segundo Gessica, as clientes costumam perguntar sobre a segurança do destino, os meios de locomoção, possíveis golpes contra turistas e até mesmo costumes culturais locais.
“Quando as mulheres procuram a agência para viajar sozinhas, percebemos algumas preocupações recorrentes e muitos legítimas. Querem saber se o lugar é seguro para mulheres sozinhas, quais locais evitar e como funciona a questão do assédio. Também perguntam sobre vestimentas adequadas e hábitos culturais para evitar situações desconfortáveis”, explica.
"Nossa prioridade é garantir que toda viajante se sinta segura e bem orientada durante a experiência. Para mulheres que viajam sozinhas, oferecemos orientações importantes antes e durante a viagem. Como indicação de destinos e hospedagem que tenham boa reputação em segurança, localização central e avaliações positivas de outros viajantes. Compartilhamos roteiros de viagem com familiares ou amigos e manter sempre contatos de emergências sempre acessíveis", completa.
Para minimizar riscos, a agência oferece orientações antes e durante a viagem.
“Nosso objetivo é que a viajante tenha autonomia, mas também se sinta amparada e bem informada durante toda a experiência”, afirma.
A Trilhando Sem Fronteiras ainda não organiza grupos exclusivos para mulheres, já que as expedições são formadas por participantes de diferentes perfis. Ainda assim, a empresária afirma que o ambiente acaba sendo acolhedor para quem decide viajar sozinha.
"Nossos grupos são mistos e o atendimento não muda quando a cliente informa que viajará sozinha. Orientamos todos da mesma forma. O cuidado especial é garantir apoio durante toda a experiência, esclarecer dúvidas e transmitir segurança para que o viajante se sinta confortável”, explicou.
Natureza virou o destino favorito
Entre os destinos mais buscados pelas mulheres conforme a pesquisa estão locais que oferecem paisagens naturais e experiências ao ar livre. Em Mato Grosso, alguns dos lugares que mais despertam interesse são:
- Chapada dos Guimarães
- Barra do Garças
- Vila Bela da Santíssima Trindade
- Campo Novo do Parecis
- Pantanal Mato-grossense
Segundo a empresária, esses roteiros se tornaram atrativos porque oferecem mais do que turismo convencional.
“Cada vez mais, estamos levando mais mulheres em passeios do que homens. Entre as mulheres buscam destinos que permitam desacelerar a rotina, cuidar da saúde mental e viver momentos de contemplação", destaca.
"Outro fator importante é a sensação de autonomia e autoconhecimento que este tipo de viagem proporciona. Atividades ao ar livre, como trilhas em parques naturais ou experiências guiadas em pequenos grupos, ajudam a criar um ambiente mais acolhedor e seguro, o que muitos viajantes valorizam", acrescenta.
Experiência que transforma
Esse movimento também se reflete em histórias reais de mulheres que decidiram enfrentar o medo e viver novas experiências. É o caso da enfermeira Izabella Pereira da Silva, de 25 anos, que encontrou nas viagens solo uma forma de se desafiar e ampliar horizontes.
“Eu estava em busca de experiências novas. No começo senti medo de não conseguir me enturmar ou de não ser como eu esperava. Mas depois da primeira viagem não parei mais”, conta.
A experiência também trouxe mudanças na rotina e no estilo de vida da enfermeira, que passou a se desafiar fisicamente para acompanhar os roteiros das viagens.
“Eu era extremamente sedentária e muitos lugares exigiam esforço físico. Mas isso mudou minha mente e meu corpo. A vontade de participar das trilhas e estar com o grupo era maior”, relata.
Para Izabella, a experiência de viajar sozinha acabou marcando uma virada importante em sua vida, fortalecendo sua autonomia e confiança para enfrentar novos desafios.
“Depois dessas experiências, aprendi a fazer muitas coisas sozinha. Antes eu não conseguia, e isso foi um passo muito grande para mim. O Trilhando Sem Fronteiras me ajudou muito nesse processo. Acredito que todas as mulheres deveriam tirar um tempo para si mesmas. É uma experiência muito gratificante quando você decide viver algo novo e tudo acontece como imaginou, principalmente por ter pessoas capacitadas que tornam a experiência mais tranquila e especial.”
Recomeço e liberdade
O crescimento das viagens solo entre mulheres também está ligado a momentos de transformação pessoal. Segundo levantamento divulgado pelo Ministério do Turismo, 65% das brasileiras que viajam sozinhas apontam a busca por liberdade, independência e bem-estar como principais motivações.
Para muitas, a experiência acaba se tornando também uma forma de recomeço. Foi exatamente isso que aconteceu com a esteticista e massoterapeuta Nayara Graziele Tavares, de 34 anos, que encontrou nas nas viagens sozinha uma maneira de se reconectar consigo mesma.
“Comecei a viajar e fazer trilhas sozinha depois da minha separação. Eu precisava ocupar minha cabeça e encontrar algo que me fizesse bem. A natureza me trouxe paz e uma nova forma de me reencontrar”, conta.
A experiência, segundo Nayara, acabou transformando também a forma como ela enxerga a própria independência e a maneira de viver novas experiências.
“Percebi que não precisamos de outras pessoas para sermos felizes ou conhecer os lugares que queremos. Basta ter vontade e viver a experiência.”
Para Nayara, viajar sozinha nunca foi visto como um risco, mas sim como uma oportunidade de descoberta e crescimento pessoal.
“Foi algo libertador. Acho que toda mulher deveria viver essa experiência pelo menos uma vez na vida.”.
Autonomia feminina
Assim, viajar sozinha deixou de ser apenas uma escolha individual e passou a representar um movimento crescente de autonomia feminina. Ao explorar trilhas, cachoeiras e paisagens naturais de destinos como o Pantanal, a Chapada dos Guimarães e Nobres, muitas mulheres descobrem que a viagem vai além do turismo: torna-se uma experiência de liberdade, autoconhecimento e fortalecimento pessoal.
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