Governadora do Pará endurece discurso contra MT no STF: “Não vamos ceder um palmo da nossa terra”

A governadora Hana Ghassan, elevou o tom contra Mato Grosso após o estado ingressar no Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar reaver uma área de aproximadamente 22 mil quilômetros quadrados localizada na divisa entre os dois estados.
Em um pronunciamento oficial, Hana afirmou que o Pará não aceitará reabrir uma disputa territorial que, segundo ela, já foi encerrada pelo Supremo em 2020, após anos de perícias técnicas, análises cartográficas e visitas realizadas inclusive pelo Exército Brasileiro.
“O Pará não se divide. Não vamos ceder um palmo das terras que pertencem ao povo paraense por direito e por história. O próprio STF decidiu a nosso favor por unanimidade em 2020. Defender nosso território é defender nosso povo, nossa identidade e tudo o que fizemos nos últimos anos para integrar e fortalecer nosso estado", disse a govenadora.
LEIA MAIS: Disputa territorial entre MT e Pará pode impactar economia de nove municípios Seguiremos firmes, com respeito à Justiça e a convicção de que o Pará é um só. Nós lutamos e sempre lutaremos pelo Pará por inteiro”, completou.A área contestada por Mato Grosso equivale ao tamanho do estado de Sergipe e atravessa seis municípios paraenses. O governo mato-grossense argumenta que a região pertence historicamente ao estado e sustenta que, apesar da arrecadação permanecer com o Pará, os moradores dependem majoritariamente da estrutura pública de Mato Grosso, especialmente em saúde e infraestrutura.
LEIA MAIS: Russi diz que MT vai “brigar com tudo” no STF por área de 22 mil km² disputada com o Pará
Ao reagir à ofensiva de Mato Grosso no STF, Hana classificou a tentativa de reabrir o caso como uma ameaça ao povo paraense.
“Tentar reabrir esse processo agora ignora a lei e gera insegurança para quem produz e vive na nossa terra. É uma ameaça a todos nós paraenses. E isso eu não vou admitir", enfatizou.
A governadora também afirmou que o território pertence ao Pará “por direito e por história” há mais de 100 anos e ressaltou que a gestão estadual trabalhou nos últimos anos para ampliar a presença do estado na região.
“Eu estava ao lado do ex-governador Helder na construção de pontes, estradas, portos e políticas públicas que tornaram o Pará maior, mais unido e mais forte.”
“A gente não está tratando de linhas de um mapa, de letras frias da lei. A gente está falando de famílias, de pessoas que nasceram paraenses, criaram seus filhos como paraenses e continuarão a ser paraenses.”
Ela também reforçou que irá à audiência marcada para a próxima semana no STF para defender a manutenção integral do território paraense.
“Eu irei com todo respeito à Justiça, mas com a firmeza e a convicção de que o Pará é um só. É por inteiro. A gente não abre mão de nenhum palmo do nosso chão.”
A nova ofensiva jurídica reacendeu a tensão política entre os dois estados e mobilizou parlamentares de Mato Grosso, que defendem a retomada da área por considerarem que o estado absorve os impactos sociais da região sem receber a arrecadação correspondente. Na semana passada a Assembleia Legislativa realizou uma audiência pública para debater a reivindicação das terras junto aos municípios que prestam serviços aos paraenses.
O presidente da Assembleia, Max Russsi (Podemos), afirmou que o Estado irá utilizar todos os recursos jurídicos e políticos possíveis para defender a posse de uma área
"Respeitamos o direito do Pará de defender sua posição, mas também acreditamos que é nosso dever defender uma área que historicamente pertence a Mato Grosso e lutar para que a população dessa região tenha a atenção que merece. Defendemos que essas comunidades sejam ouvidas e que tenham acesso aos investimentos, à infraestrutura e aos serviços públicos que merecem", disse Max.
Veja vídeo:
Relacionadas

Novo comando do TCE-MT exonera 16 servidores alvos de operação da PF; veja a lista completa

Após críticas na base aliada, Michelle Bolsonaro se pronuncia nos stories, sai em defesa de lideranças e diz que Jair Bolsonaro pede “união” da direita

Em marco histórico, Papa Leão XIV torna-se o primeiro pontífice a votar em eleições nos EUA

Lula se reúne com Mauro Vieira para tratar do futuro da relação com os EUA e alinha prioridades do próximo mandato

Medeiros projeta avanço de pedidos de impeachment contra ministros do STF no Senado

