Mega Diário Cuiabá · Quinta-feira, 5 de novembro de 2026
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PF deflagra operação para apurar esquema de venda de decisões judiciais e lavagem de dinheiro em MT

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A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta segunda-feira (8), a Operação Gemini, novo desdobramento das investigações que apuram um suposto esquema de venda de sentenças judiciais e corrupção envolvendo integrantes do Judiciário mato-grossense. Entre os alvos da ação estão o desembargador afastado do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), Dirceu dos Santos, e o deputado estadual Faissal Calil.

Ao todo, oito pessoas foram alvo das medidas judiciais cumpridas pela PF em Cuiabá. Segundo informações apuradas durante a operação, um dos investigados acabou preso em flagrante durante o cumprimento dos mandados. O motivo da prisão, porém, não havia sido divulgado até a publicação desta reportagem.

A Operação Gemini é um desdobramento da Operação Sisamnes, investigação conduzida pela Polícia Federal sob supervisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que apura uma suposta rede de corrupção voltada à comercialização de decisões judiciais, lavagem de dinheiro e vazamento de informações sigilosas envolvendo tribunais estaduais e até estruturas ligadas ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Os mandados cumpridos nesta segunda-feira incluem buscas e apreensões domiciliares e pessoais, além da quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático dos investigados. Conforme a PF, os alvos poderão responder pelos crimes de corrupção passiva, advocacia administrativa e lavagem de dinheiro.

Escândalo ganhou novas fases em 2025

A Operação Sisamnes teve início em novembro de 2024 e, desde então, revelou uma série de ramificações do suposto esquema. As investigações apontam a existência de uma estrutura destinada à negociação de decisões judiciais e à ocultação de recursos oriundos de propinas pagas em troca de sentenças favoráveis.

Nos últimos meses, a Polícia Federal realizou diversas fases da operação. Em maio de 2025, por exemplo, a oitava etapa resultou no afastamento de magistrados e no bloqueio de aproximadamente R$ 30 milhões em bens e valores. Segundo a PF, havia indícios de um esquema de lavagem de dinheiro criado para ocultar pagamentos milionários relacionados à compra de decisões judiciais em Mato Grosso.

As investigações também avançaram sobre suspeitas de vazamento de informações sigilosas, lavagem de recursos e atuação de intermediários que teriam facilitado o contato entre interessados e agentes públicos com influência em decisões judiciais.

Repercussão política

A inclusão do nome do deputado estadual Faissal Calil entre os alvos da Operação Gemini amplia a repercussão política do caso em Mato Grosso, uma vez que as apurações passam a alcançar não apenas integrantes do Judiciário, mas também agentes com atuação na esfera política.

Até o momento, a defesa dos investigados não havia se manifestado oficialmente sobre as medidas adotadas pela Polícia Federal.

A operação segue em andamento e novas informações poderão ser divulgadas ao longo do dia pelas autoridades responsáveis pela investigação.

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