Pivetta acusa Wellington de querer “voltar à cena do crime” e senador é confrontado por histórico judicial de aliado
Governador resgata relação de adversário com governo Silval e cita Cinésio Nunes, condenado por improbidade em ação envolvendo obra rodoviária

O governador Otaviano Pivetta (Republicanos) afirmou que o senador Wellington Fagundes (PL) foi parceiro político do ex-governador Silval Barbosa e questionou se o adversário pretende “voltar à cena do crime” caso seja eleito para comandar Governo de Mato Grosso. O confronto ocorreu nesta terça-feira (18), durante debate promovido pelo Portal Primeira Página e pela Rádio Centro América.
A ofensiva de Pivetta ocorreu durante discussão sobre infraestrutura e rodovias e teve como principal alvo a relação de Wellington com Cinésio Nunes de Oliveira, atual chefe de gabinete do candidato do PL e ex-secretário de Estado de Transporte e Pavimentação Urbana durante o governo Silval.
“O senhor foi parceiro do Silval na Secretaria de Obras, com o seu chefe de gabinete atual, Cinésio, e foi delatado pelo Silval por corrupção. O senhor quer voltar à cena do crime, agora, pedindo para o povo votar para ser governador de Mato Grosso?”, disparou Pivetta.
Wellington reagiu imediatamente e tentou afastar a associação feita pelo adversário. O senador afirmou conhecer Cinésio e sustentou que ele não teria sido condenado.
“Eu posso garantir, eu conheço o Cinésio. Ele não tem nenhum processo que ele foi julgado e condenado”, respondeu.
A afirmação, porém, entra em choque com uma condenação proferida pela Justiça de Mato Grosso contra o ex-secretário. Cinésio foi condenado por improbidade administrativa em ação que investigou irregularidades em um contrato para implantação e pavimentação de 94,61 quilômetros da MT-413, entre o entroncamento da BR-158 e Santa Terezinha.
Silval volta ao centro da disputa
Foi justamente a delação de Silval que Pivetta utilizou como munição política contra Wellington durante o debate.
Segundo o relato apresentado pelo ex-governador, Wellington teria reivindicado influência sobre a Secretaria de Infraestrutura e defendido a permanência de Cinésio no comando da pasta. Ainda conforme a colaboração, posteriormente teriam ocorrido tratativas envolvendo vantagens indevidas relacionadas a contratos de obras do Estado.
Silval afirmou que empresas contratadas no programa MT Integrado pagavam percentuais de propina sobre os valores recebidos.
As declarações do ex-governador, contudo, não resultaram em condenação de Wellington Fagundes no caso citado por Pivetta. O senador foi mencionado no acordo de colaboração, mas não foi condenado judicialmente pelos fatos apresentados no debate.
É justamente essa diferença que separa o ataque político feito pelo governador do histórico judicial de seu aliado: Wellington foi citado na delação; Cinésio, por outro lado, foi alvo de ação judicial e recebeu condenação por improbidade administrativa.
Wellington tenta transformar ataque em defesa política
Ao responder, Wellington procurou apresentar sua relação com o governo Silval como parte de sua atuação parlamentar e destacou a destinação de recursos federais para Mato Grosso.
“Eu não ajudei só o governo Silval, eu ajudei todos os governos”, afirmou.
O candidato do PL também citou a atuação na aprovação do Auxílio Financeiro para Fomento das Exportações (FEX), afirmando ter ajudado a garantir R$ 3 bilhões para o Governo de Mato Grosso e R$ 1 bilhão para os municípios.
DNIT vira segundo round
O confronto não terminou com a discussão sobre Silval. Pivetta também atacou a atuação de Wellington junto ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e afirmou que o senador acumulou influência sobre o órgão durante diferentes governos federais.
“O senhor mandou no DNIT, no governo Lula 1, 2, Dilma 1, Dilma 2, Temer, e o Bolsonaro chegou lá e expulsou o senhor do DNIT. Tarcísio é quem tirou o senhor de lá”, afirmou.
Na sequência, o governador voltou a associar a atuação política do adversário às obras rodoviárias federais.
“O senhor sempre gostou de estrada federal, para todo ano liberar dinheiro e participar dos negócios. Essa é a sua profissão, o senhor é conhecido com essa fama”, acusou.
Wellington pediu que Pivetta apresentasse provas das acusações e aproveitou o direito de resposta para atacar a trajetória política do governador.
“Apresente provas, deixe de ficar falando e acusando”, rebateu.
O senador também resgatou a participação de Pivetta na campanha e no grupo político do ex-governador Pedro Taques (PSB), tentando devolver ao governador a cobrança sobre alianças e relações políticas do passado.
“O senhor fala que não participou do governo Pedro Taques, esteve lá dentro, entranhado lá dentro”, afirmou.
O embate expôs uma estratégia clara dos dois candidatos: enquanto Pivetta tenta associar Wellington às antigas estruturas políticas e aos episódios de corrupção que marcaram o governo Silval, o senador busca apresentar sua trajetória em Brasília como resultado de articulação política e cobrar provas das acusações feitas pelo governador.
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