Ranalli é denunciado ao MPE após defender marca Ypê na tribuna da Câmara de Cuiabá

O vereador por Cuiabá Rafael Ranalli foi denunciado ao Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) após utilizar a tribuna da Câmara Municipal para defender a marca Ypê durante sessão legislativa. A notícia de fato questiona se houve promoção indevida da empresa por parte do parlamentar e pede apuração sobre possíveis impactos de suas declarações em meio às medidas sanitárias adotadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
O documento foi protocolado em 12 de maio e encaminhado às Promotorias de Justiça da Capital, que deverão analisar se existem elementos para abertura de investigação.
A representação cita um pronunciamento feito por Ranalli no plenário da Câmara, quando o vereador exibiu um recipiente de detergente da marca e criticou a atuação da Anvisa. Na ocasião, ele sugeriu que a medida adotada contra a fabricante teria motivações políticas e afirmou existir coincidências envolvendo empresas ligadas a grupos empresariais que apoiam correntes ideológicas diferentes.
"A gente viu com fatos muitas coincidências", declarou o parlamentar durante o discurso, ao relacionar a situação da Ypê com empresas controladas pelos irmãos Batista e também com outras marcas frequentemente associadas ao debate político nacional.
A denúncia sustenta que a manifestação extrapolou a atividade parlamentar e teve caráter de promoção comercial. O documento também menciona que os proprietários da empresa são conhecidos por terem realizado doações à campanha do ex-presidente Jair Bolsonaro nas eleições de 2022.
Suspensão da Anvisa
A polêmica teve origem após a Anvisa determinar, em maio, a suspensão da fabricação, comercialização, distribuição e uso de determinados produtos da Ypê fabricados na unidade de Amparo (SP). A medida foi tomada após inspeções identificarem falhas em etapas críticas do processo produtivo, incluindo problemas nos sistemas de garantia e controle de qualidade, com risco de contaminação microbiológica.
Dias depois, a diretoria da agência manteve parte das restrições aos lotes afetados, reforçando que a decisão tinha caráter técnico e sanitário.
O caso ganhou repercussão nacional e passou a ser explorado por influenciadores e militantes políticos nas redes sociais. Alguns aliados do ex-presidente Bolsonaro chegaram a questionar a decisão da agência, alegando perseguição à empresa.
No fim de maio, após uma nova inspeção, a Anvisa autorizou a retomada da produção na fábrica da Ypê e liberou a comercialização dos produtos fabricados a partir de 1º de abril de 2026, embora parte dos lotes anteriores permanecesse sob restrição até a conclusão das análises técnicas.
Pronunciamento gerou repercussão
Durante sua fala na Câmara, Ranalli afirmou que a atuação da Anvisa deveria ser analisada sob uma perspectiva mais ampla e relembrou episódios envolvendo outras empresas que, segundo ele, também foram alvo de debates políticos em razão da polarização nacional.
A representação protocolada no Ministério Público pede que sejam apurados os limites da atuação parlamentar no caso e se houve eventual promoção de interesses privados durante o exercício do mandato.
Até o momento, não há decisão do MPMT sobre a abertura de procedimento investigatório. O caso encontra-se em fase preliminar de análise.
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