Mega Diário Cuiabá · Quinta-feira, 5 de novembro de 2026
MAIOR CACHOEIRA DE MT

Vila Bela une cultura afro-brasileira, história e belezas naturais em MT

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Localizada no extremo oeste de Mato Grosso, a Vila Bela da Santíssima Trindade (a cerca de 510 quilômetros de Cuiabá), desponta como um dos destinos mais autênticos e ainda pouco explorados do turismo brasileiro. Primeira capital do estado, fundada em 1752, a cidade combina história colonial, natureza exuberante e uma forte herança cultural afro-brasileira, oferecendo experiências únicas aos visitantes.

O município abriga um verdadeiro paraíso natural, com acesso privilegiado principalmente no período de chuvas. Nessa época, o aumento do volume de água transforma cânions e cachoeiras em cenários imponentes, ampliando as possibilidades de visitação e tornando a paisagem ainda mais exuberante.

Ainda hoje, a cidade preserva importantes marcos históricos, como as ruínas da antiga Igreja Matriz, construída no século XVIII com técnicas como pedra canga e adobe. O conjunto arquitetônico, aliado às margens do rio Guaporé, permite ao visitante vivenciar um ambiente que mistura natureza, história e tranquilidade típica do interior.

História e identidade preservadas

Mais do que natureza, Vila Bela é um mergulho na história. Como primeira capital de Mato Grosso, o município guarda patrimônios que remontam ao período colonial, com destaque para as ruínas da antiga matriz e o centro histórico com casarões preservados.

A cidade também é um dos principais polos da cultura afro-brasileira no Centro-Oeste. Um dos maiores símbolos dessa identidade é a Festança do Congo e do Chorado, celebração que reúne música, dança e religiosidade, mantendo tradições centenárias.

Na gastronomia, Vila Bela também se destaca pela originalidade. Um dos principais símbolos é o Canjinjin, bebida artesanal de origem africana feita com cachaça, mel, gengibre e especiarias, produzida tradicionalmente por mulheres da comunidade e reconhecida como patrimônio cultural.

Outro destaque é o “esquenta-xereca”, bebida típica regional presente em festas e celebrações populares, que também carrega saberes tradicionais transmitidos entre gerações.

Além das bebidas, a culinária local valoriza ingredientes regionais e receitas ligadas à herança afro-brasileira e ao modo de vida do interior mato-grossense.

Destino autêntico e pouco explorado

Cercada pelos biomas Amazônia, Cerrado e Pantanal, Vila Bela da Santíssima Trindade reúne biodiversidade, história e cultura em um só lugar. O município se consolida como um destino ideal para quem busca turismo de experiência, longe dos roteiros convencionais.

Com cânions, cachoeiras imponentes e uma identidade cultural única, a cidade se firma como um dos grandes tesouros turísticos de Mato Grosso — especialmente no período de chuvas, quando a natureza revela toda a sua força e beleza.

Grande parte dos atrativos naturais está concentrada no Parque Estadual da Serra de Ricardo Franco, onde estão formações rochosas impressionantes, trilhas ecológicas e rios de águas cristalinas.

De acordo com o condutor de turismo Victor Soares Couto, a época de chuvas — entre novembro e maio — é a mais indicada para visitação, já que os cânions ficam cheios e as cachoeiras mais volumosas.

Atualmente o Parque  conta com 6 passeios abertos, são eles: Cachoeira do Capivari, Cachoeira do Jatobá, Cânion do Jatobá, Cascata dos Namorados e Cascatinha, Trilha da Poaia e Trilha das 7 cachoeiras. 

O principal destaque é a Cachoeira do Jatobá, considerada a maior do estado, com cerca de 250 metros de queda livre — uma das maiores do Brasil.

A trilha até o local possui aproximadamente 11 quilômetros (ida e volta), com nível médio de dificuldade e paisagens marcadas pela transição entre os biomas Amazônia e Cerrado.

A caminhada vale pena, na Cachoeira do Jatobá, o mirante principal fica bem em frente à queda, mas há diversos pontos de vista na trilha que leva em cima da cachoeira. A 50 metros acima da queda há uma bela piscina natural para banho.

O guia explica que não é possível chegar embaixo da cachoeira, mas somente na época mais seca, quando é possível adentrar no interior do cânion.

A Cachoeira do Jatobá, recebeu esse nome devido à abundância de árvores da espécie jatobá (Hymenaea courbaril) na região. 

Outro ponto que chama atenção é o Cânion do Jatobá, com águas cristalinas que variam entre tons azulados e esverdeados, além de paredões rochosos imponentes. Durante o período chuvoso, o local se enche, formando piscinas naturais. Já na seca, é possível percorrer trechos internos do cânion.

A região ainda abriga atrações como a Cascata dos Namorados e a Cascatinha, além da Cachoeira dos Macacos, com cerca de 85 metros de altura, visitada no mesmo trajeto do Jatobá.

Outro roteiro bastante procurado é o Circuito das Cachoeiras, que reúne sete atrativos em uma trilha de aproximada de 6 quilômetros, são elas:  Escorrega, Escadaria, Esmeralda, Pingo de Prata e Arco-Íris, em trilhas com trechos íngremes e contato direto com rios e mata preservada.

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