Virginia afirma ter recebido carta com ameaças para desistir de disputar eleição em MT: "não vão me parar"

A ex-primeira-dama de Mato Grosso, Virginia Mendes (União Brasil), afirmou nesta terça-feira (23) ter recebido ameaças para que desistisse de disputar as eleições de 2026. A declaração foi feita durante o lançamento de sua pré-candidatura à Câmara dos Deputados, em Cuiabá, quando revelou a existência de uma investigação policial que tramita sob sigilo.
Segundo Virginia, uma carta contendo ameaças foi entregue dentro de sua residência em dezembro do ano passado. O caso foi registrado junto às autoridades e, conforme relatou, a apuração permitiu identificar os responsáveis por meio de imagens do sistema de monitoramento do condomínio onde mora.
"Eu recebi uma carta dentro da minha casa, com ameaças, e isso vai sair a público em breve. A ameaça era para que eu não fosse candidata", declarou.
De acordo com a ex-primeira-dama, a correspondência foi entregue por uma pessoa que teve acesso ao condomínio residencial. Ela afirmou que uma funcionária da residência também registrou boletim de ocorrência por ter recebido o material.
"Foi em dezembro. O Mauro ainda era governador. A pessoa invadiu o meu condomínio, entrou dentro da minha casa. Minha funcionária também registrou um boletim, porque foi ela quem atendeu", disse.
Virginia afirmou que a investigação avançou após a análise das imagens de segurança.
"Através do condomínio, a polícia conseguiu pegar as imagens e chegou até as duas pessoas", relatou.
Questionada sobre a identidade dos envolvidos, ela disse que tem conhecimento sobre quem seriam os responsáveis, mas evitou fornecer detalhes em razão do sigilo do procedimento.
"Está registrado. Está em sigilo porque tem pessoas importantes envolvidas no meio, segundo a carta", afirmou.
A revelação ocorreu durante o lançamento de sua pré-candidatura à Câmara dos Deputados. Pela primeira vez, Virginia disputará uma eleição. Nos últimos anos, ela ganhou projeção política ao liderar ações sociais do Governo de Mato Grosso, especialmente por meio dos programas desenvolvidos durante a gestão do então governador Mauro Mendes.
Disputa eleitoral de 2026
A entrada de Virginia na disputa ocorre em meio à reorganização do cenário político para as eleições de 2026 em Mato Grosso. O União Brasil trabalha para ampliar sua representação na Câmara Federal e considera a ex-primeira-dama uma das principais apostas da legenda para a formação da chapa proporcional.
O ato também marcou o lançamento da pré-candidatura de Mauro Mendes ao Senado Federal. O ex-governador deixou o comando do Palácio Paiaguás em abril deste ano para cumprir o prazo de desincompatibilização previsto na legislação eleitoral e viabilizar sua participação na disputa.
A corrida pelas duas vagas ao Senado deve reunir alguns dos principais nomes da política mato-grossense. Entre os pré-candidatos que já aparecem nas articulações partidárias estão a deputada estadual Janaína Riva (MDB), o ministro da Agricultura e senador licenciado Carlos Fávaro (PSD), o deputado federal José Medeiros (PL), a senadora Margareth Buzetti (PSD), além de outras lideranças que avaliam participação no pleito.
Na Câmara dos Deputados, a expectativa é de que a Federação União Progressista, formada por União Brasil e Progressistas, monte uma das chapas mais competitivas do Estado, reunindo lideranças ligadas à atual base governista.
Decisão de disputar
Durante a coletiva, Virginia afirmou que as ameaças ocorreram justamente no período em que avaliava a possibilidade de ingressar na vida política. Segundo ela, o episódio aumentou as dúvidas sobre disputar ou não as eleições, mas não alterou sua decisão.
"Eu precisava que Deus falasse comigo se era realmente isso que eu teria que passar, se era isso que Deus queria de mim", declarou.
Apesar do episódio, a ex-primeira-dama afirmou que seguirá com a pré-candidatura e aguardará a conclusão das investigações.
O caso permanece sob sigilo e não há prazo divulgado para a conclusão do procedimento.
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