Mega Diário Cuiabá · Quinta-feira, 5 de novembro de 2026
CONFIRA

Arroba da vaca gorda recua no fim de junho, mas fecha trimestre com alta de 11% em MT

Retenção de fêmeas reduz oferta para abate, sustenta valorização no trimestre e mantém perspectiva positiva para a pecuária, apesar da cautela dos frigoríficos

boi/ agro

Mesmo com a retração registrada nas últimas semanas de junho, o mercado da pecuária bovina em Mato Grosso encerrou o segundo trimestre de 2026 em patamar superior ao observado há um ano. Levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostra que a vaca gorda a prazo acumulou valorização de 11,23% no trimestre, reflexo principalmente da menor oferta de animais terminados para abate.

Na semana encerrada em 26 de junho, a vaca gorda foi negociada, em média, a R$ 304,72 por arroba, queda de 2,64% em relação à semana anterior, quando o indicador marcou R$ 312,99/@. Segundo o Imea, a desvalorização ocorreu em razão da postura mais cautelosa dos frigoríficos diante das incertezas envolvendo o ritmo das exportações para a China, principal destino da carne bovina brasileira.

Apesar da queda pontual, a média do segundo trimestre permaneceu elevada. Entre abril e junho, a vaca gorda foi comercializada a R$ 318,66 por arroba, contra R$ 286,49/@ no mesmo período de 2025.

De acordo com a análise do instituto, a valorização observada ao longo do trimestre está diretamente ligada ao ciclo pecuário. A maior retenção de fêmeas pelos produtores, estratégia utilizada para ampliar os rebanhos em momentos de expectativa de preços melhores, reduziu a disponibilidade de animais para abate e deu sustentação às cotações.

O comportamento do mercado também foi influenciado pelo cenário internacional. Embora a demanda chinesa continue sendo um dos principais motores das exportações brasileiras de carne bovina, o mercado passou a operar com maior cautela nas últimas semanas, levando a indústria frigorífica a reduzir o ritmo das compras.

Boi gordo mantém valorização no semestre

Os números do Imea mostram que o mercado segue fortalecido em 2026, mesmo diante do ajuste registrado em junho.

No primeiro semestre, o boi gordo a prazo apresentou preço médio de R$ 331,37 por arroba, alta de 6,74% em comparação com igual período de 2025.

Ao mesmo tempo, as escalas médias de abate passaram para 10,44 dias úteis, aumento de 2,24 dias em relação ao ano anterior, indicando maior conforto na programação das indústrias.

Ainda assim, entre maio e junho, a arroba do boi gordo recuou 2,05%, passando de R$ 346,07 para R$ 338,99, enquanto as escalas avançaram para 10,47 dias úteis, movimento interpretado pelo instituto como reflexo da maior cautela dos frigoríficos nas aquisições.

Mercado de reposição segue firme

Na reposição, o cenário continua favorável ao pecuarista.

O preço do bezerro de sete arrobas avançou 0,48% na comparação semanal, alcançando R$ 15,86 por quilo. Segundo o Imea, a valorização decorre da oferta restrita de animais disponíveis para comercialização, situação compatível com o atual ciclo de retenção de matrizes.

Já o garrote de 9,5 arrobas foi cotado a R$ 24,30/kg, enquanto a bezerra de cinco arrobas ficou em R$ 13,32/kg.

Consumo interno pressiona atacado

No mercado da carne, a carcaça casada do boi registrou queda de 1,62% na semana, sendo negociada a R$ 21,35 por quilo.

O movimento é considerado sazonal e acompanha o enfraquecimento do consumo doméstico no fim do mês, período em que o poder de compra da população costuma diminuir, pressionando os preços no atacado.

No mercado futuro, o contrato BGIM26, com vencimento em junho, também apresentou retração de 0,70%, encerrando cotado a R$ 340,28 por arroba, sinalizando expectativa de maior pressão sobre os preços no curto prazo.

Perspectiva segue positiva

Apesar da recente acomodação das cotações, a avaliação do Imea é que os fundamentos do mercado continuam favoráveis.

A combinação entre oferta limitada de animais terminados, consequência da retenção de fêmeas, e a manutenção de um bom desempenho das exportações deve continuar oferecendo sustentação aos preços da arroba nos próximos meses.

Por outro lado, a indústria frigorífica tende a manter uma postura mais conservadora enquanto acompanha o comportamento da demanda internacional, especialmente da China, fator que pode limitar movimentos mais intensos de valorização no curto prazo.

Para analistas do setor, o mercado permanece em uma fase típica de transição do ciclo pecuário, em que a redução da oferta contribui para manter os preços em níveis historicamente elevados, mesmo diante de oscilações pontuais provocadas pelo consumo interno e pelo cenário externo.

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