Mega Diário Cuiabá · Quinta-feira, 5 de novembro de 2026
PECUÁRIA

Suspensão da UE ameaça mercado que paga mais pela carne de Mato Grosso

Bloco europeu respondeu por 3,43% das exportações de MT entre janeiro e julho, mas pagou 34,7% a mais por tonelada que a China

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A suspensão das importações de carne bovina brasileira pela União Europeia, que entrou em vigor nesta quinta-feira (3), atinge um mercado que tem menor participação nas exportações de Mato Grosso, mas oferece uma das maiores remunerações pela proteína. Entre janeiro e julho de 2026, a UE respondeu por 3,43% do volume exportado pelo Estado, mas pagou, em média, 34,7% a mais por tonelada do que a China.

Segundo dados do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), Mato Grosso embarcou 20,37 mil toneladas equivalentes de carcaça para a União Europeia no período. As vendas movimentaram US$ 130,51 milhões, correspondentes a 4,65% da receita obtida pelo Estado com as exportações de carne bovina.

O diferencial aparece no preço. A carne destinada à União Europeia alcançou média de US$ 6.407,87 por tonelada, enquanto a China pagou US$ 4.756,10. A diferença foi de 34,7% a favor do mercado europeu.

Para o superintendente do Imea, Cleiton Gauer, a suspensão representa uma dificuldade principalmente para produtores que direcionam sua produção ao mercado europeu.

“O estado, que é um estado exportador, perder essa oportunidade de mercado é realmente um obstáculo relevante, principalmente para um perfil específico de produção, que é realmente esses produtores que produzem dentro das qualificações para atender as exigências do mercado europeu,” destaca Gauer.

Carne precisa encontrar outro destino

Com a suspensão, frigoríficos terão de buscar alternativas para os produtos que seriam destinados ao bloco europeu. O desafio, segundo Gauer, não é apenas encontrar compradores, mas preservar o valor da mercadoria.

“O desafio realmente é, se eles conseguirem encaixar esse outro mercado, eles têm uma posição muito grande sobre o Cone Sul para conseguir colocar esse produto na sequência, mas é um mercado que precisa ser aberto.”

A União Europeia não é o principal destino da carne bovina de Mato Grosso em volume, mas a diferença de preço torna o mercado relevante para a cadeia. Por isso, a transferência da produção para outros compradores pode resultar em perda de remuneração caso os novos destinos paguem menos.

Gauer avalia que os frigoríficos terão papel importante nesse processo, especialmente na busca por compradores para a carne que deixar de ser embarcada para a Europa.

“Os frigoríficos precisam fazer o trabalho comercial deles para conseguir colocar esse produto em outro lugar.”

Na avaliação do superintendente, a abertura de novos mercados também depende de articulação com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), além de questões relacionadas à logística e à formação de parceiros comerciais.

Impacto sobre produtores

O efeito sobre os produtores tende a ser diferente conforme o perfil da produção. Aqueles que trabalham com animais destinados a mercados que exigem padrões específicos e recebem uma remuneração adicional podem sentir mais diretamente a suspensão.

Gauer também pondera que uma eventual pressão sobre os preços do boi no curto prazo não deve ser atribuída exclusivamente à perda do mercado europeu. Segundo ele, a formação dos preços da arroba está ligada a fatores estruturais da pecuária, especialmente ao ciclo do gado.

Para Mato Grosso, portanto, o principal desafio imediato é redirecionar a carne sem transformar a perda de acesso ao mercado europeu em uma redução significativa do valor recebido pela cadeia.

A suspensão atinge um mercado pequeno em volume, mas relevante justamente por pagar mais pela proteína mato-grossense. A busca por novos compradores passa a ser uma das principais estratégias para reduzir esse impacto.

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