Mega Diário Cuiabá · Quinta-feira, 5 de novembro de 2026
MERCADO DO MILHO

Aumento da oferta global de milho amplia estoques e mantém pressão sobre preços internacionais

agro/milho

A perspectiva de uma safra mundial recorde de milho voltou a ganhar força após a divulgação do relatório de oferta e demanda de junho pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Os números apontam para uma ampliação da produção global e dos estoques finais do cereal, cenário que reforça a pressão sobre as cotações internacionais e exige atenção dos produtores brasileiros na comercialização da safra.

De acordo com análise do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a oferta mundial de milho para a safra 2025/26 foi revisada para 1,33 bilhão de toneladas, aumento de 0,94% em relação à projeção divulgada em maio. O principal fator para a revisão foi o crescimento da produção global, estimada agora em 1,33 bilhão de toneladas, avanço de 1,07% no comparativo mensal.

O incremento está diretamente relacionado à expansão da área cultivada no mundo, que passou a ser projetada em 215,17 milhões de hectares, alta de 0,71% frente ao relatório anterior. O movimento reflete o aumento da intenção de plantio em importantes países produtores, diante da expectativa de manutenção da demanda global pelo cereal.

Apesar do crescimento do consumo, a oferta segue avançando em ritmo superior. O USDA revisou a demanda mundial para 1,30 bilhão de toneladas, aumento de 0,55% em relação ao mês anterior. Como consequência, os estoques finais globais foram elevados para 303,36 milhões de toneladas, volume 2,16% superior ao projetado anteriormente.

Na avaliação de analistas do mercado, o aumento dos estoques é um dos principais fatores de pressão sobre os preços internacionais do milho. Quanto maior a disponibilidade do produto, menor tende a ser o risco de desabastecimento, reduzindo o prêmio pago pelo mercado e limitando movimentos de alta nas bolsas internacionais.

As projeções para a safra 2026/27 reforçam esse cenário. O USDA elevou a estimativa de produção mundial para 1,30 bilhão de toneladas, crescimento de 0,39% em relação ao relatório anterior. O ajuste foi impulsionado principalmente pela expansão da área cultivada na Índia, país que vem ampliando sua participação na produção global do cereal nos últimos anos.

Ao mesmo tempo, o consumo mundial também apresentou crescimento, refletindo a demanda da indústria de etanol, da produção de proteínas animais e da fabricação de ração. Ainda assim, a oferta permanece superior à demanda, resultando em uma nova revisão positiva para os estoques finais, agora estimados em 281,22 milhões de toneladas, alta de 1,32%.

O cenário global acompanha uma tendência observada desde o início do ano: recuperação da produção nos principais países exportadores e melhora da disponibilidade mundial do cereal. Nos Estados Unidos, maior produtor e exportador de milho do mundo, as condições climáticas favoráveis vêm sustentando expectativas de elevada produtividade. Já na América do Sul, Brasil e Argentina também contribuem para o aumento da oferta global após resultados expressivos nas últimas safras.

Para o mercado brasileiro, especialmente em Mato Grosso, maior produtor nacional de milho, o avanço dos estoques mundiais representa um fator de atenção. Com maior disponibilidade do cereal no mercado internacional, as oportunidades de valorização tendem a ficar mais limitadas, aumentando a importância de estratégias de comercialização e gestão de custos pelos produtores.

Segundo o Imea, a combinação entre produção crescente e estoques elevados reforça um ambiente de ampla oferta global, cenário que deve continuar influenciando a formação dos preços do milho ao longo dos próximos meses.

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