Mega Diário Cuiabá · Quinta-feira, 5 de novembro de 2026
SUPERSAFRA DE MILHO

Safra recorde da Argentina amplia pressão sobre preços do milho e acende alerta no mercado brasileiro

Além do crescimento da área, as condições climáticas favoráveis elevaram as projeções de rendimento médio para 141,28 sacas por hectare, alta de 18,11% na comparação anual.

agro/ milho

A perspectiva de uma safra recorde de milho na Argentina voltou a aumentar a pressão sobre o mercado internacional do cereal e pode impactar diretamente os preços pagos aos produtores brasileiros nos próximos meses. Relatório divulgado pela Bolsa de Cereales, no último dia 21 de maio, aponta forte avanço na produção argentina da safra 2025/26, impulsionado pela expansão da área plantada e pela expectativa de produtividade elevada.

Segundo o levantamento, os produtores argentinos deverão cultivar 8,40 milhões de hectares com milho no próximo ciclo, aumento de 300 mil hectares em relação à estimativa anterior e volume equivalente ao registrado na safra 2023/24.

Além do crescimento da área, as condições climáticas favoráveis elevaram as projeções de rendimento médio para 141,28 sacas por hectare, alta de 18,11% na comparação anual. Com isso, a produção total do país foi estimada em 64 milhões de toneladas, avanço de 30,61% frente à temporada passada e novo recorde histórico para a Argentina.

O cenário reforça a expectativa de aumento da oferta global de milho justamente em um momento em que os principais países produtores também caminham para safras robustas. A combinação tende a ampliar a concorrência no mercado exportador e pressionar as cotações internacionais do cereal.

Na Argentina, a colheita da atual safra alcançou 32,9% da área estimada até a última semana, avanço semanal de 0,9 ponto percentual. Apesar do progresso, os trabalhos seguem atrasados em relação ao ciclo anterior, com defasagem de 15,65 pontos percentuais, reflexo da prioridade dada pelos produtores à colheita da soja.

Mesmo assim, as condições das lavouras permanecem positivas. De acordo com a Bolsa de Cereales, 92,08% das áreas cultivadas apresentam condições consideradas normais ou excelentes, índice 10,08 pontos percentuais superior ao observado no mesmo período da safra passada.

O avanço da produção argentina é acompanhado com atenção pelo mercado brasileiro, especialmente em Mato Grosso, maior produtor nacional de milho. O estado deve registrar uma das maiores safras da história em 2026, impulsionada pela expansão da segunda safra e pelo bom desenvolvimento climático das lavouras.

Com maior oferta prevista na América do Sul e nos Estados Unidos, analistas avaliam que o mercado tende a enfrentar um período de pressão sobre os preços internacionais, principalmente no segundo semestre, quando o fluxo de exportações ganha intensidade.

Além da concorrência externa, o produtor brasileiro também acompanha fatores internos, como logística, capacidade de armazenagem e ritmo das exportações. Em Mato Grosso, o cenário ainda é sustentado pela forte demanda doméstica da indústria de etanol de milho e do setor de proteína animal, que vêm ampliando o consumo interno do cereal.

Mesmo diante da pressão baixista no mercado global, especialistas apontam que o câmbio e o avanço da demanda industrial podem amenizar parte dos impactos sobre os preços no Brasil ao longo dos próximos meses.

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